quinta-feira, 16 de julho de 2009

Devaneios 3



– Quer este?

– Não, acho que não.

– Tome. É de menta!

– Acho que não vou querer.

– Sorvete de menta? Porque?

– Sei lá.

– Hum. Tá bom. Vou comer tudo sozinho.

– Certo.

– Você quer o de menta?

– Não. Já provei. Só quero napolitano.

– Nossa. O de menta é bom do mesmo jeito.

– Sei não. Gostei sempre do napolitano. Não pretendo mudar.

– Hum. Você já parou pra pensar que existe algo além do napolitano?

– Aí é traição, você não acha?

– Não. Não é. É crescimento. Você tem o de napolitano, mas pode provar o de menta. Enquanto tiver.

– Sei não. Estou decidindo.

– Certo.

– Bom, não é?

– Aham.

– Sorvete?

– Não. Já tenho o que preciso, embora nem sempre o que quero.

– Não. Perguntei se ainda restou de menta.

– Não. Pelo que vejo, acabou.

– Assim? Rápido não é?

– É porque deve ser bom. Ou é porque é novo?

– E agora?

– Faz.

– E se você não quiser?

– Isso eu escolho.

– Posso escolher?

– Não sei. Na verdade nunca fizestes.

– Acho que sim.

– De menta?

– Aí posso eu fazer.

– Mas e seu eu quiser?

– Bem, é uma escolha. Já que agora estamos só com a casquinha.

– É bom, não é?

– É.

– Concordo.

– O que precisamos?

– Fazer. E não feito.


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